Sintomas obsessivo-compulsivos e psicoses endógenas

Autores/as

  • Igor Studart Universidade de São Paulo

DOI:

https://doi.org/10.37067/rpfc.v15i2.1263

Palabras clave:

Diagnóstico, Psicoses endógenas, Transtorno obsessivo-compulsivo, História da psiquiatria

Resumen

A inespecificidade dos sintomas obsessivo-compulsivos (SOCs) é reconhecida desde a psicopatologia clássica, seja pela sua presença no curso de psicoses endógenas ou de forma episódica/crônica em afecções não psicóticas graves. A partir da perspectiva fenomenológica-dialética, este trabalho busca evidenciar o significado estrutural dos SOCs no contexto das psicoses endógenas, restringindo-se a comentários clínico-psicopatológicos. Inicialmente, discute-se a relação entre SOCs e doença maníaco-depressiva. Na melancolia, a retroversão temporal e a objetivação do tempo favorecem a emergência de fenômenos obsessivos, enquanto na mania, a expansão do polo do Eu dissolve o impasse obsessivo, indicando relações estruturais opostas. Em seguida, examina-se a esquizofrenia por meio do caso clássico de Lola Voss (Binswanger). Lola desenvolve superstições complexas, “compulsão de leitura” e “fobia de roupas”, evoluindo para delírios persecutórios. Binswanger questiona se ideias delirantes podem emergir de ideias obsessivas ou se ambas seriam expressões de um mesmo Humor Delirante. No caso, obsessão e delírio se entrelaçam, formando “tons graduados de estruturas psíquicas”. A análise diacrônica do caso permite articular a clínica clássica com pesquisas atuais, como o estudo de Egea-Fernandez et al. (2024), que identifica duas fases dos SOCs em pacientes em uso de clozapina: uma primeira, correlacionada à gravidade psicótica, e uma segunda, à concentração sérica do fármaco. A primeira fase encontra paralelo no caso Lola; a segunda suscita investigações sobre a “memória corporal” e a corporeidade como dimensão implicada na ação antipsicótica. Conclui-se que a articulação entre leitura fenomenológica e dados empíricos contemporâneos amplia a compreensão dos SOCs nas psicoses endógenas, deslocando o foco de sintomas isolados para fenômenos enraizados na totalidade da experiência psicopatológica, e permitindo pensar a interface entre diagnóstico, estrutura e intervenção terapêutica.

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Publicado

2026-08-08

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